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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Gripe espanhola - 1918/1919

Gripe espanhola (1918/19) - paralelos entre ela e o ebola:
1) Ambas são causadas por vírus.
2) Ambas produzem febre alta e podem matar por insuficiência respiratória (mas só o ebola produz sangramento interno ou externo).
3) Ambas tem história de ressuscitação de pessoas dadas como mortas:
Durante a gripe espanhola no Alegrete, meu tio pelo lado paterno Francisco La Gamba D'Andrea (Chiquinho), foi contaminado pelo vírus e chegou a ser dado como morto; durante o velório e pouco antes de fecharem o caixão havia o hábito (não sei se em todos os casos ou só no caso da Espanhola) de "selar" os olhos dos defuntos, pingando cera derretida das velas em seus olhos (também não sei o motivo); quando foram fazer isto com tio Chiquinho, verificaram que ele voltara a respirar, tendo vivido bastante após este fato.
Ouvi este relato de familiares, não tenho elementos para afirmar sua veracidade, nem motivos para duvidar dele. Espero que a Verinha (Vera Alvares da Cunha) tenha ouvido algo de sua avó (e minha tia) Tereza, irmã do ressuscitado.

Eles acreditam que as duas mulheres - uma com 40 anos e outra com 60 - voltaram a viver após a morte com o ebola
NOTICIAS.TERRA.COM.BR

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

AS INCRÍVEIS OVELHAS VOADORAS DO CONDADO DO ITAPORORÓ

O título deste miniconto (apenas o título) é inspirado no título de um conto de Mark Twain, a Rã Saltadora do Condado de Calaveras.
Na verdade Itapororó não é um condado, mas o segundo sub-distrito do município de Alegrete - RS.

No Itapororó, havia uma fazenda que tinha um belo rebanho de pacíficas ovelhas. Tudo corria às mil maravilhas na criação desta fazenda, até que, uma bela manhã, o fazendeiro acordou e saiu para o campo para olhar o seu rebanho e... não é que o mesmo tinha sumido, simplesmente "desaparecera no ar"!
O que sucedeu?
Não sei se por graça de Deus ou artes do Demo, as ovelhas começaram a voar naquela noite, a princípio timidamente, mas depois tomaram gosto pelo voo e " se mandaram a la cria". Por isso, pela manhã, o fazendeiro não encontrou nem rastros dos bichos.

... e para que não pensem que é mentira da grossa, vai aí a foto do feito, vinda lá do Alegrete velho, por obra e graça de minha amiga Ivete.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

NO CAMPINHO DAS LARANJEIRAS

Há muito tempo, no Alegrete da década de 40,  ali onde a linha férrea para Quaraí se afasta  da que vai para Uruguaiana, do lado esquerdo existia um descampado entre  a plantação de laranjeiras e a rua,  que a gente chamava de "Campinho" e onde jogávamos nossas "peladas" diariamente. No lado oposto, à direita da linha de Quarai ficava a propriedade do "Seu Baixinho" ( residência, terreno grande e armazém).

Os dois filhos mais novos do "Seu Baixinho" jogavam  ali no Campinho, com toda a molecada dos Canudos e arredores; o mais novo, o Ely (Lyca) era bem pequeno  e falava com dificuldade, principalmente palavras com som de erre.
Antes de começar o jogo, alguém começava a correr em direção à uma árvore isolada, gritando: "O último a chegar lá é veado" e sempre o último a chegar era o pequeno Lyca. Aquilo foi gerando uma revolta  no pequeno e, um certo dia, ele não correu com todos, ficou parado dizendo: " o prrrimeirrro que chegar é veado", com os erres mais rascantes que alguém podia pronunciar. Toda a molecada ficou sem saber o que fazer e, depois de muita risada, abandonou aquela brincadeira.

O  Lyca nunca mais teve dificuldade de pronunciar os erres.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

PAIXÃO.

Lugar onde dois amantes se encontram,
se abraçam,
se beijam
e onde, apaixonadamente, se fundem um no outro...




Horizonte
... céu e mar !

sábado, 17 de janeiro de 2015

OS "PORTAIS" do ALEGRETE


Benício Pir Loco e os “portais” do Alegrete:

                Meu trisavô pelo lado materno,  Benício Pir Loco, uma certa feita descobriu que no Alegrete havia diversos  “portais”, espécie de passagem entre universos paralelos. Descobriu também que alguns desses portais estavam situados no Cerro do Caverá, em cuja proximidade ele morava.
                Vô Benício era um homem de poucos estudos  e muita coragem, um certo dia, seguindo o que dizia a lenda quase-verdade e totalmente mentira do Cerro do Caverá – quem se jogasse  de uma plataforma de pedra do cerro seria arrastado pela força de atração de um portal  inter-dimensional (uma espécie de buraco-negro intergalático, capaz de sugar toda a matéria que dele se aproximasse) – ele se jogou da plataforma e pimba, passou a um universo paralelo, mas infelizmente bidimensional e não tridimensional como o nosso.
                Ao chegar a este outro universo, Vô Benício se viu reduzido a uma estampa e não sabia como voltar. Depois de mais de dois séculos pensando e se lamuriando, Vô Benício já nem se considerava uma estampa, se julgava uma estampilha – mas estampilha, por acaso, não é um selo?  Vô Benício escreveu uma carta para ele mesmo e se "colou" ao envelope:

                               Ilmo. Sr. Benício Pir Loco
                               Proximidades do Cerro do Caverá.
                               Sub-distrito do Alegrete – RS – BR.

                Alguns anos depois passou por ali o carteiro, que outro não era senão o “Mochileiro das Galáxias”, que se dirigia a “Um Restaurante no Fim do Universo” e que, de passada, deixou a carta no endereço correto, embora um tanto-quanto quase totalmente vago.

Vô Benício se reviu no momento exato da queda, que terminou nas pedras cerca de 2,5 m abaixo. Vô Benício fraturou o fêmur da perna direita, que foi “encanada” por um prático, um tal de Almeida; a perna ficou um pouco mais curta e Vô Benício se tornou coxo pelo resto da vida.

Como a estória sempre se repete, eu quis penetrar através deste mesmo portal, uma certa ocasião em que eu fui com meus primos até  um ponto acima desta plataforma, para colher carqueja  para refazer as vassouras de campanha;  caí da plataforma, mas o portal não me aceitou pois não havia atingido a idade da razão, tinha apenas seis anos: me esborrachei  nas pedras 2,5 m abaixo, fraturei o fêmur direito, tive a perna encanada por um prático de campanha, o senhor Mito Almeida. Fiquei  com a perna direita 1,5 cm mais curta, tive que reaprender a andar e hoje mal se nota alguma coisa diferente no caminhar.



Por isso, recomendo que vocês, antes de tentar um passeio por outros universos, leiam o “Guia do Mochileiro das Galáxias”  de Douglas Noël Adams (1952-2001)  escritor e comediante britânico, e também   “Batalha do Apocalípse” e a trilogia “Filhos do Éden” do Eduardo Spohr, escritor brasileiro que sabe tudo sobre portais, vértices, etc.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

DIRCEU LAGARTO


                O guri nasceu no Alegrete,  na zona mais pobre da cidadezinha do interior. Sua mãe tinha feições de índia e pele acobreada, vivia  de “bicos”;   pai, desconhecido. Foi da mãe que ele herdou a pele acobreada e os cabelos  pretos e lisos. O guri foi se criando solto, fazendo artes com a molecada.

                Quando Dirceu tinha uns 9 anos morreu-lhe a mãe que, mal ou bem, o sustentava. Ela foi enterrada como indigente, lá nos fundos do Cemitério Municipal. Restou-lhe um único parente, um tio, que não tinha como sustenta-lo e que resolveu doa-lo a alguém que o quisesse.

                Foi oferecido a um casal jovem que tinha um filho pequeno, para cuidar do menininho. Foi nesta casa que o conheci e foi aí que ele recebeu o apelido que o acompanharia: Lagarto, por gostar muito de ovos.

                Num dia de finados esta família foi ao cemitério reverenciar seus mortos; Dirceu foi junto, com algumas flores para colocar no túmulo da mãe; ele não encontrou o túmulo, pois indigente não tem placa  ou cruz no túmulo que recebe. Ele deixou as flores jogadas lá no cemitério e voltou  muito revoltado; a partir daí, fugia da casa onde estava e passava muito tempo na rua.

                O casal jovem decidiu que não tinha condições de ficar com ele e procurou o tio, para devolvê-lo; o tio resolveu então  doa-lo para um morador do campo, dono de uma granja distante uma légua e meia da cidade, onde ele poderia ser melhor vigiado e educado para o trabalho. O dono da granja, Rafael, de arcanjo só tinha o nome: era rude, fanfarrão, arrotava à mesa, batia nos filhos e empregados e maltratava a mulher.

                Dirceu entrou na linha, aprendeu toda a lida campeira e se fez homem trabalhando  quase como escravo; nunca teve autorização de Rafael para se afastar da granja. Com pouco mais de vinte anos, sem ter qualquer documento ou registro, estava destinado a viver como escravo até o fim dos seus dias, a menos que algo insólito acontecesse. O insólito aconteceu: certo dia, cortando lenha no mato, Dirceu feriu um pé com o machado; foi levado à cidade, ao Hospital da Santa Casa de Caridade, do qual Rafael era benemérito. Ficou mais de  um mês internado lá, para curar o pé; quem o visitava neste período era Josias, filho mais velho de Rafael, que descobriu que ele não era registrado e que não havia se apresentado ao Serviço Militar.

                Quando ele teve alta, Josias o levou até o cartório, providenciou para  que se registrasse, levou-o à Junta de Recrutamento Militar, para que regularizasse sua situação e não fosse considerado revel; dizem até que ele adotou o nome Lagarto no registro, por não saber o nome correto de sua família; isto feito, Josias deu-lhe um cavalo encilhado, algum dinheiro e o mandou ir cuidar de sua vida.
                Foi assim que Dirceu Lagarto caiu no mundo e se tornou dono de si.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Vivendo e aprendendo.

VIVENDO E APRENDENDO.

Benício Pir Loco, um antepassado por linha colateral de minha mãe, era um homem do campo, lá no Alegrete. Já muito velho adoeceu e estava para morrer. Como não dava para trazer um padre para a Extrema Unção, era costume de campanha se colocar um vela acessa na mão do agonizante, para alumiar  seu caminho  na Eternidade. Procura daqui, procura dali, ninguém encontrou uma vela em casa para colocar em sua mão. Aí alguém lembrou de ir até o fogo-de-chão do galpão e pegar um tição em brasa e colocar na mão do velho, fazendo as vezes de vela.
Benício Pir Loco olhou para sua mão, viu o tição e sentenciou:
---Morrendo e aprendendo!

(estória de ficção, qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais é mera coincidência).