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terça-feira, 2 de abril de 2019

FELICIDADE.


A felicidade é um pássaro
sem pena:
acena 
para nós
e voa sempre para longe, saindo
de cena.
(francari - 2017).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

DE POETAS E POESIA.

Caminhava eu por uma floresta, quando avistei um homem com uma coroa de folhas de louro à cabeça. Era o poeta Dante Alighieri que por ali passava; juntos caminhamos por largo tempo, até avistarmos um portal onde se lia, em tipos grandes:
"Deixai qualquer esperança, vós que entrais".

Abaixo, em tipos menores, dizia:
Deixai os sonhos loucos, as conquistas inúteis, as esperanças vãs.
Deixai também "o sonho enfermo, a glória obscura, a fé perdida, e o segredo de amor que eu não te disse nunca".
Deixai ainda as "meras expressões de inúteis tentativas, na conquista integral do meu desejo".
Deixai a juventude, a vitalidade, a agudez do pensamento crítico, a sensatez do pensamento analítico.
Deixai, enfim, tudo que vos foi caro na longa travessia da vida.

Assombrado, perguntei a Dante: é a porta do Inferno?

Ele pensou, sopesou as palavras e respondeu: é o portal da quarta idade, que inicia aos oitenta anos.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Breve estória da Criação

Breve estória da criação.

Depois de criar anjos, arcanjos, tronos e potestades, Deus resolveu criar a matéria, o espaço, o tempo e as leis da evolução da matéria no complexo espaço-tempo, ai incluídas a vida, a evolução das espécies e sua reprodução: primeiramente a reprodução assexuada, logo depois a reprodução sexuada que, para funcionar, exigiu a criação de ferormônios e atração sexual, criou os protótipos humanos: homem, mulher e todas as opções LGBT que existem ou virão a existir. Fez tudo isto em 6 dias divinos, ficou de saco cheio e disse (metaforicamente): Fodam-se!

A Humanidade, que naquele tempo não conhecia nada de metáforas, metonímias e outras figuras de linguagem, entendeu a mensagem ao pé da letra e nunca mais parou de fornicar.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A INCRÍVEL GELADEIRA VOADORA DO CONDADO DA QUEROMANA

      Tenho uma amiga no Alegrete que tem uma casa de campo ali na Queromana. Ela comprou uma geladeira para colocar no avarandado da casa, sem saber que em uma existência anterior (da geladeira), ela fora amaldiçoada por Maria Boca Santa, a maior rogadora de praga do Alegrete, que vaticinou que ela (a geladeira) tentaria ir com o vento, a cada temporal que houvesse.
     No primeiro temporal que houve, a geladeira voou timidamente  e caiu ainda na área calçada do avarandado; já no segundo temporal havido, ela voou um pouco mais e caiu no gramado além do calçamento.
Receoso de que ela (a geladeira) vá com o vento num próximo temporal. o marido de minha amiga "chumbou" umas argolas no chão e amarrou a geladeira nelas com um sovéu grosso, desses de "sujeitar" touro em palanque de mangueira. Além disso, encheu a gaveta de verduras com "pedra moura das quebradas do Inhandui", pois a cada vez que dá uma aragem, prenunciando uma mudança de tempo e um possível temporal, a geladeira se assanha e fica dando pulinhos, à espera de o temporal desabar.

... e pra que não digam que é mentira da grossa, estou postando duas fotos, batidas por minha amiga, das duas tentativas de voo da amaldiçoada geladeira.



terça-feira, 27 de setembro de 2016

Gripe espanhola - 1918/1919

Gripe espanhola (1918/19) - paralelos entre ela e o ebola:
1) Ambas são causadas por vírus.
2) Ambas produzem febre alta e podem matar por insuficiência respiratória (mas só o ebola produz sangramento interno ou externo).
3) Ambas tem história de ressuscitação de pessoas dadas como mortas:
Durante a gripe espanhola no Alegrete, meu tio pelo lado paterno Francisco La Gamba D'Andrea (Chiquinho), foi contaminado pelo vírus e chegou a ser dado como morto; durante o velório e pouco antes de fecharem o caixão havia o hábito (não sei se em todos os casos ou só no caso da Espanhola) de "selar" os olhos dos defuntos, pingando cera derretida das velas em seus olhos (também não sei o motivo); quando foram fazer isto com tio Chiquinho, verificaram que ele voltara a respirar, tendo vivido bastante após este fato.
Ouvi este relato de familiares, não tenho elementos para afirmar sua veracidade, nem motivos para duvidar dele. Espero que a Verinha (Vera Alvares da Cunha) tenha ouvido algo de sua avó (e minha tia) Tereza, irmã do ressuscitado.

Eles acreditam que as duas mulheres - uma com 40 anos e outra com 60 - voltaram a viver após a morte com o ebola
NOTICIAS.TERRA.COM.BR

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

AS INCRÍVEIS OVELHAS VOADORAS DO CONDADO DO ITAPORORÓ

O título deste miniconto (apenas o título) é inspirado no título de um conto de Mark Twain, a Rã Saltadora do Condado de Calaveras.
Na verdade Itapororó não é um condado, mas o segundo sub-distrito do município de Alegrete - RS.

No Itapororó, havia uma fazenda que tinha um belo rebanho de pacíficas ovelhas. Tudo corria às mil maravilhas na criação desta fazenda, até que, uma bela manhã, o fazendeiro acordou e saiu para o campo para olhar o seu rebanho e... não é que o mesmo tinha sumido, simplesmente "desaparecera no ar"!
O que sucedeu?
Não sei se por graça de Deus ou artes do Demo, as ovelhas começaram a voar naquela noite, a princípio timidamente, mas depois tomaram gosto pelo voo e " se mandaram a la cria". Por isso, pela manhã, o fazendeiro não encontrou nem rastros dos bichos.

... e para que não pensem que é mentira da grossa, vai aí a foto do feito, vinda lá do Alegrete velho, por obra e graça de minha amiga Ivete.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

NO CAMPINHO DAS LARANJEIRAS

Há muito tempo, no Alegrete da década de 40,  ali onde a linha férrea para Quaraí se afasta  da que vai para Uruguaiana, do lado esquerdo existia um descampado entre  a plantação de laranjeiras e a rua,  que a gente chamava de "Campinho" e onde jogávamos nossas "peladas" diariamente. No lado oposto, à direita da linha de Quarai ficava a propriedade do "Seu Baixinho" ( residência, terreno grande e armazém).

Os dois filhos mais novos do "Seu Baixinho" jogavam  ali no Campinho, com toda a molecada dos Canudos e arredores; o mais novo, o Ely (Lyca) era bem pequeno  e falava com dificuldade, principalmente palavras com som de erre.
Antes de começar o jogo, alguém começava a correr em direção à uma árvore isolada, gritando: "O último a chegar lá é veado" e sempre o último a chegar era o pequeno Lyca. Aquilo foi gerando uma revolta  no pequeno e, um certo dia, ele não correu com todos, ficou parado dizendo: " o prrrimeirrro que chegar é veado", com os erres mais rascantes que alguém podia pronunciar. Toda a molecada ficou sem saber o que fazer e, depois de muita risada, abandonou aquela brincadeira.

O  Lyca nunca mais teve dificuldade de pronunciar os erres.