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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

PAIXÃO.

Lugar onde dois amantes se encontram,
se abraçam,
se beijam
e onde, apaixonadamente, se fundem um no outro...




Horizonte
... céu e mar !

sábado, 17 de janeiro de 2015

OS "PORTAIS" do ALEGRETE


Benício Pir Loco e os “portais” do Alegrete:

                Meu trisavô pelo lado materno,  Benício Pir Loco, uma certa feita descobriu que no Alegrete havia diversos  “portais”, espécie de passagem entre universos paralelos. Descobriu também que alguns desses portais estavam situados no Cerro do Caverá, em cuja proximidade ele morava.
                Vô Benício era um homem de poucos estudos  e muita coragem, um certo dia, seguindo o que dizia a lenda quase-verdade e totalmente mentira do Cerro do Caverá – quem se jogasse  de uma plataforma de pedra do cerro seria arrastado pela força de atração de um portal  inter-dimensional (uma espécie de buraco-negro intergalático, capaz de sugar toda a matéria que dele se aproximasse) – ele se jogou da plataforma e pimba, passou a um universo paralelo, mas infelizmente bidimensional e não tridimensional como o nosso.
                Ao chegar a este outro universo, Vô Benício se viu reduzido a uma estampa e não sabia como voltar. Depois de mais de dois séculos pensando e se lamuriando, Vô Benício já nem se considerava uma estampa, se julgava uma estampilha – mas estampilha, por acaso, não é um selo?  Vô Benício escreveu uma carta para ele mesmo e se "colou" ao envelope:

                               Ilmo. Sr. Benício Pir Loco
                               Proximidades do Cerro do Caverá.
                               Sub-distrito do Alegrete – RS – BR.

                Alguns anos depois passou por ali o carteiro, que outro não era senão o “Mochileiro das Galáxias”, que se dirigia a “Um Restaurante no Fim do Universo” e que, de passada, deixou a carta no endereço correto, embora um tanto-quanto quase totalmente vago.

Vô Benício se reviu no momento exato da queda, que terminou nas pedras cerca de 2,5 m abaixo. Vô Benício fraturou o fêmur da perna direita, que foi “encanada” por um prático, um tal de Almeida; a perna ficou um pouco mais curta e Vô Benício se tornou coxo pelo resto da vida.

Como a estória sempre se repete, eu quis penetrar através deste mesmo portal, uma certa ocasião em que eu fui com meus primos até  um ponto acima desta plataforma, para colher carqueja  para refazer as vassouras de campanha;  caí da plataforma, mas o portal não me aceitou pois não havia atingido a idade da razão, tinha apenas seis anos: me esborrachei  nas pedras 2,5 m abaixo, fraturei o fêmur direito, tive a perna encanada por um prático de campanha, o senhor Mito Almeida. Fiquei  com a perna direita 1,5 cm mais curta, tive que reaprender a andar e hoje mal se nota alguma coisa diferente no caminhar.



Por isso, recomendo que vocês, antes de tentar um passeio por outros universos, leiam o “Guia do Mochileiro das Galáxias”  de Douglas Noël Adams (1952-2001)  escritor e comediante britânico, e também   “Batalha do Apocalípse” e a trilogia “Filhos do Éden” do Eduardo Spohr, escritor brasileiro que sabe tudo sobre portais, vértices, etc.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

DIRCEU LAGARTO


                O guri nasceu no Alegrete,  na zona mais pobre da cidadezinha do interior. Sua mãe tinha feições de índia e pele acobreada, vivia  de “bicos”;   pai, desconhecido. Foi da mãe que ele herdou a pele acobreada e os cabelos  pretos e lisos. O guri foi se criando solto, fazendo artes com a molecada.

                Quando Dirceu tinha uns 9 anos morreu-lhe a mãe que, mal ou bem, o sustentava. Ela foi enterrada como indigente, lá nos fundos do Cemitério Municipal. Restou-lhe um único parente, um tio, que não tinha como sustenta-lo e que resolveu doa-lo a alguém que o quisesse.

                Foi oferecido a um casal jovem que tinha um filho pequeno, para cuidar do menininho. Foi nesta casa que o conheci e foi aí que ele recebeu o apelido que o acompanharia: Lagarto, por gostar muito de ovos.

                Num dia de finados esta família foi ao cemitério reverenciar seus mortos; Dirceu foi junto, com algumas flores para colocar no túmulo da mãe; ele não encontrou o túmulo, pois indigente não tem placa  ou cruz no túmulo que recebe. Ele deixou as flores jogadas lá no cemitério e voltou  muito revoltado; a partir daí, fugia da casa onde estava e passava muito tempo na rua.

                O casal jovem decidiu que não tinha condições de ficar com ele e procurou o tio, para devolvê-lo; o tio resolveu então  doa-lo para um morador do campo, dono de uma granja distante uma légua e meia da cidade, onde ele poderia ser melhor vigiado e educado para o trabalho. O dono da granja, Rafael, de arcanjo só tinha o nome: era rude, fanfarrão, arrotava à mesa, batia nos filhos e empregados e maltratava a mulher.

                Dirceu entrou na linha, aprendeu toda a lida campeira e se fez homem trabalhando  quase como escravo; nunca teve autorização de Rafael para se afastar da granja. Com pouco mais de vinte anos, sem ter qualquer documento ou registro, estava destinado a viver como escravo até o fim dos seus dias, a menos que algo insólito acontecesse. O insólito aconteceu: certo dia, cortando lenha no mato, Dirceu feriu um pé com o machado; foi levado à cidade, ao Hospital da Santa Casa de Caridade, do qual Rafael era benemérito. Ficou mais de  um mês internado lá, para curar o pé; quem o visitava neste período era Josias, filho mais velho de Rafael, que descobriu que ele não era registrado e que não havia se apresentado ao Serviço Militar.

                Quando ele teve alta, Josias o levou até o cartório, providenciou para  que se registrasse, levou-o à Junta de Recrutamento Militar, para que regularizasse sua situação e não fosse considerado revel; dizem até que ele adotou o nome Lagarto no registro, por não saber o nome correto de sua família; isto feito, Josias deu-lhe um cavalo encilhado, algum dinheiro e o mandou ir cuidar de sua vida.
                Foi assim que Dirceu Lagarto caiu no mundo e se tornou dono de si.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Vivendo e aprendendo.

VIVENDO E APRENDENDO.

Benício Pir Loco, um antepassado por linha colateral de minha mãe, era um homem do campo, lá no Alegrete. Já muito velho adoeceu e estava para morrer. Como não dava para trazer um padre para a Extrema Unção, era costume de campanha se colocar um vela acessa na mão do agonizante, para alumiar  seu caminho  na Eternidade. Procura daqui, procura dali, ninguém encontrou uma vela em casa para colocar em sua mão. Aí alguém lembrou de ir até o fogo-de-chão do galpão e pegar um tição em brasa e colocar na mão do velho, fazendo as vezes de vela.
Benício Pir Loco olhou para sua mão, viu o tição e sentenciou:
---Morrendo e aprendendo!

(estória de ficção, qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais é mera coincidência).

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O COLAFINA E O BACUDO NO ALEGRETE.


                Primeiramente vou definir o que são os termos Colafina e Bacudo: Colafina é como os moradores do campo se referem ao citadino. Bacudo é como os citadinos se referem ao morador do campo.

Certas feita um guri colafina do Alegrete, veio estudar na Capital, aprendeu artes marciais, se sofisticou e, ao voltar em férias ao Alegrete, avistou um bacudo passeando pelo Centro da cidade; devia ser um peão de estância de folga, alpargatas, bombachita de brim riscado e uma camisa de mangas curtas, mostrando os braços musculosos de quem se criou na lida. O gurizote colafina analisou o bacudo e começou a debochar dele (afinal o gurizote era um dos melhores alunos da Academia de Artes Marciais). O bacudo levou na brincadeira mas o colafina exagerou no desboche e o bacudo desafiou:

                -- Te arremanga e vem!

                O colafina veio com tudo que sabia de judô, disposto a dar uns tombos no bacudo; este acostumado a pegar tourito à unha e a tirar talho na curva do braço envolto no pala, apenas quadrou o corpo, saindo fora da trajetória do cola fina, enquanto lhe aplicava um tapa de mão aberta ao pé do ouvido.

                Aquilo foi se repetindo até que chegou a turma-do-deixa-disso apartando os dois. O bacudo voltou para a campanha e nem sei quem era; o colafina foi para a casa dos parentes, com o lado da cara “bordado” de marcas dos dedos do bacudo.

                O fato é real e o colafina eu sei quem era, mas como isto ocorreu há quase 40 anos, omito o seu nome, pois hoje é um cidadão respeitável, pai e avô.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

ENCONTRO DE JAYME CAETANO BRAUN E JOÃO DA CUNHA VARGAS.


Quando o Zezo Brunet Vargas disse que seu pai João da Cunha Vargas era amigo e considerava o poeta missioneiro como "alma gêmea":

Eu só fico imaginando
O céu, um grande galpão
E junto a um fogo-de-chão
Estes dois chimarreando,
Fazendo versos, proseando
Enquanto Jesus Cristinho
Vai chegando, de mansinho,
Só pra ficar “escuitando”.

sábado, 29 de março de 2014

Automatismos ou "A Síndrome do Cavalo do Leiteiro".



Quando eu era criança, era fascinado pelo trabalho dos leiteiros que distribuiam o leite aos consumidores, indo de casa em casa com sua carroça puxada por cavalo. Os consumidores eram fixos, na maioria, e o leiteiro percorria as mesmas ruas, parando nos mesmos locais todos os dias. O cavalo do leiteiro automatizava os roteiros e paradas: cada... vez que o leiteiro fazia uma entrega e voltava à carroça, o cavalo automaticamente seguia até a próxima casa do trajeto.
A este automatismo de movimentos e ações eu chamo (trollando) de síndrome do cavalo do leiteiro.
Eu tive um carro por muitos anos e um dia estragou a 3ª marcha, que não engatava mais. Como na ocasião estava com despesas extraordinárias, não deu para consertar logo, o remédio foi dirigir passando direto da 2ª para a 4ª marcha. Bem eu automatizei isto e, às vezes, sem nenhuma necessidade, eu passo direto da 2ª para a 4ª. Aí eu me xingo: já estás com a sídrome do cavalo do leiteiro?