Tenho uma amiga no Alegrete que tem uma casa de campo ali na Queromana. Ela comprou uma geladeira para colocar no avarandado da casa, sem saber que em uma existência anterior (da geladeira), ela fora amaldiçoada por Maria Boca Santa, a maior rogadora de praga do Alegrete, que vaticinou que ela (a geladeira) tentaria ir com o vento, a cada temporal que houvesse.
No primeiro temporal que houve, a geladeira voou timidamente e caiu ainda na área calçada do avarandado; já no segundo temporal havido, ela voou um pouco mais e caiu no gramado além do calçamento.
Receoso de que ela (a geladeira) vá com o vento num próximo temporal. o marido de minha amiga "chumbou" umas argolas no chão e amarrou a geladeira nelas com um sovéu grosso, desses de "sujeitar" touro em palanque de mangueira. Além disso, encheu a gaveta de verduras com "pedra moura das quebradas do Inhandui", pois a cada vez que dá uma aragem, prenunciando uma mudança de tempo e um possível temporal, a geladeira se assanha e fica dando pulinhos, à espera de o temporal desabar.
... e pra que não digam que é mentira da grossa, estou postando duas fotos, batidas por minha amiga, das duas tentativas de voo da amaldiçoada geladeira.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Gripe espanhola - 1918/1919
Gripe espanhola (1918/19) - paralelos entre ela e o ebola:
1) Ambas são causadas por vírus.
2) Ambas produzem febre alta e podem matar por insuficiência respiratória (mas só o ebola produz sangramento interno ou externo).
3) Ambas tem história de ressuscitação de pessoas dadas como mortas:
2) Ambas produzem febre alta e podem matar por insuficiência respiratória (mas só o ebola produz sangramento interno ou externo).
3) Ambas tem história de ressuscitação de pessoas dadas como mortas:
Durante a gripe espanhola no Alegrete, meu tio pelo lado paterno Francisco La Gamba D'Andrea (Chiquinho), foi contaminado pelo vírus e chegou a ser dado como morto; durante o velório e pouco antes de fecharem o caixão havia o hábito (não sei se em todos os casos ou só no caso da Espanhola) de "selar" os olhos dos defuntos, pingando cera derretida das velas em seus olhos (também não sei o motivo); quando foram fazer isto com tio Chiquinho, verificaram que ele voltara a respirar, tendo vivido bastante após este fato.
Ouvi este relato de familiares, não tenho elementos para afirmar sua veracidade, nem motivos para duvidar dele. Espero que a Verinha (Vera Alvares da Cunha) tenha ouvido algo de sua avó (e minha tia) Tereza, irmã do ressuscitado.
Eles acreditam que as duas mulheres - uma com 40 anos e outra com 60 - voltaram a viver após a morte com o ebola
NOTICIAS.TERRA.COM.BR
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
AS INCRÍVEIS OVELHAS VOADORAS DO CONDADO DO ITAPORORÓ
O título deste miniconto (apenas o título) é inspirado no título de um conto de Mark Twain, a Rã Saltadora do Condado de Calaveras.
Na verdade Itapororó não é um condado, mas o segundo sub-distrito do município de Alegrete - RS.
No Itapororó, havia uma fazenda que tinha um belo rebanho de pacíficas ovelhas. Tudo corria às mil maravilhas na criação desta fazenda, até que, uma bela manhã, o fazendeiro acordou e saiu para o campo para olhar o seu rebanho e... não é que o mesmo tinha sumido, simplesmente "desaparecera no ar"!
O que sucedeu?
Não sei se por graça de Deus ou artes do Demo, as ovelhas começaram a voar naquela noite, a princípio timidamente, mas depois tomaram gosto pelo voo e " se mandaram a la cria". Por isso, pela manhã, o fazendeiro não encontrou nem rastros dos bichos.
... e para que não pensem que é mentira da grossa, vai aí a foto do feito, vinda lá do Alegrete velho, por obra e graça de minha amiga Ivete.
Na verdade Itapororó não é um condado, mas o segundo sub-distrito do município de Alegrete - RS.
No Itapororó, havia uma fazenda que tinha um belo rebanho de pacíficas ovelhas. Tudo corria às mil maravilhas na criação desta fazenda, até que, uma bela manhã, o fazendeiro acordou e saiu para o campo para olhar o seu rebanho e... não é que o mesmo tinha sumido, simplesmente "desaparecera no ar"!
O que sucedeu?
Não sei se por graça de Deus ou artes do Demo, as ovelhas começaram a voar naquela noite, a princípio timidamente, mas depois tomaram gosto pelo voo e " se mandaram a la cria". Por isso, pela manhã, o fazendeiro não encontrou nem rastros dos bichos.
... e para que não pensem que é mentira da grossa, vai aí a foto do feito, vinda lá do Alegrete velho, por obra e graça de minha amiga Ivete.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
NO CAMPINHO DAS LARANJEIRAS
Há muito tempo, no Alegrete da década de 40, ali onde a linha férrea para Quaraí se afasta da que vai para Uruguaiana, do lado esquerdo
existia um descampado entre a plantação
de laranjeiras e a rua, que a gente
chamava de "Campinho" e onde jogávamos nossas "peladas"
diariamente. No lado oposto, à direita da linha de Quarai ficava a propriedade
do "Seu Baixinho" ( residência, terreno grande e armazém).
Os dois filhos mais novos do "Seu Baixinho"
jogavam ali no Campinho, com toda a
molecada dos Canudos e arredores; o mais novo, o Ely (Lyca) era bem
pequeno e falava com dificuldade,
principalmente palavras com som de erre.
Antes de começar o jogo, alguém começava a correr em direção
à uma árvore isolada, gritando: "O último a chegar lá é veado" e
sempre o último a chegar era o pequeno Lyca. Aquilo foi gerando uma
revolta no pequeno e, um certo dia, ele
não correu com todos, ficou parado dizendo: " o prrrimeirrro que chegar é
veado", com os erres mais rascantes que alguém podia pronunciar. Toda a
molecada ficou sem saber o que fazer e, depois de muita risada, abandonou
aquela brincadeira.
O Lyca nunca mais teve dificuldade de pronunciar os erres.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
PAIXÃO.
Lugar onde dois amantes se encontram,
se abraçam,
se beijam
e onde, apaixonadamente, se fundem um no outro...
Horizonte
... céu e mar !
sábado, 17 de janeiro de 2015
OS "PORTAIS" do ALEGRETE
Benício Pir
Loco e os “portais” do Alegrete:
Meu
trisavô pelo lado materno, Benício Pir
Loco, uma certa feita descobriu que no Alegrete havia diversos “portais”, espécie de passagem entre universos
paralelos. Descobriu também que alguns desses portais estavam situados no Cerro
do Caverá, em cuja proximidade ele morava.
Vô Benício era um homem de poucos estudos e muita coragem, um certo dia, seguindo o que dizia a lenda quase-verdade e totalmente mentira do Cerro do Caverá – quem se jogasse de uma plataforma de pedra do cerro seria arrastado pela força de atração de um portal inter-dimensional (uma espécie de buraco-negro intergalático, capaz de sugar toda a matéria que dele se aproximasse) – ele se jogou da plataforma e pimba, passou a um universo paralelo, mas infelizmente bidimensional e não tridimensional como o nosso.
Ao chegar a este outro universo, Vô Benício se viu reduzido a uma estampa e não sabia como voltar. Depois de mais de dois séculos pensando e se lamuriando, Vô Benício já nem se considerava uma estampa, se julgava uma estampilha – mas estampilha, por acaso, não é um selo? Vô Benício escreveu uma carta para ele mesmo e se "colou" ao envelope:
Ilmo. Sr. Benício Pir Loco
Proximidades do Cerro do Caverá.
Sub-distrito do Alegrete – RS – BR.
Alguns anos depois passou por ali o carteiro, que outro não era senão o “Mochileiro das Galáxias”, que se dirigia a “Um Restaurante no Fim do Universo” e que, de passada, deixou a carta no endereço correto, embora um tanto-quanto quase totalmente vago.
Vô Benício era um homem de poucos estudos e muita coragem, um certo dia, seguindo o que dizia a lenda quase-verdade e totalmente mentira do Cerro do Caverá – quem se jogasse de uma plataforma de pedra do cerro seria arrastado pela força de atração de um portal inter-dimensional (uma espécie de buraco-negro intergalático, capaz de sugar toda a matéria que dele se aproximasse) – ele se jogou da plataforma e pimba, passou a um universo paralelo, mas infelizmente bidimensional e não tridimensional como o nosso.
Ao chegar a este outro universo, Vô Benício se viu reduzido a uma estampa e não sabia como voltar. Depois de mais de dois séculos pensando e se lamuriando, Vô Benício já nem se considerava uma estampa, se julgava uma estampilha – mas estampilha, por acaso, não é um selo? Vô Benício escreveu uma carta para ele mesmo e se "colou" ao envelope:
Ilmo. Sr. Benício Pir Loco
Proximidades do Cerro do Caverá.
Sub-distrito do Alegrete – RS – BR.
Alguns anos depois passou por ali o carteiro, que outro não era senão o “Mochileiro das Galáxias”, que se dirigia a “Um Restaurante no Fim do Universo” e que, de passada, deixou a carta no endereço correto, embora um tanto-quanto quase totalmente vago.
Vô Benício se reviu no momento
exato da queda, que terminou nas pedras cerca de 2,5 m abaixo. Vô Benício
fraturou o fêmur da perna direita, que foi “encanada” por um prático, um tal de
Almeida; a perna ficou um pouco mais curta e Vô Benício se tornou coxo pelo
resto da vida.
Como a estória sempre se repete,
eu quis penetrar através deste mesmo portal, uma certa ocasião em que eu fui
com meus primos até um ponto acima desta
plataforma, para colher carqueja para
refazer as vassouras de campanha; caí da
plataforma, mas o portal não me aceitou pois não havia atingido a idade da
razão, tinha apenas seis anos: me esborrachei
nas pedras 2,5 m abaixo, fraturei o fêmur direito, tive a perna encanada
por um prático de campanha, o senhor Mito Almeida. Fiquei com a perna direita 1,5 cm mais curta, tive
que reaprender a andar e hoje mal se nota alguma coisa diferente no caminhar.
Por isso, recomendo que vocês,
antes de tentar um passeio por outros universos, leiam o “Guia do Mochileiro
das Galáxias” de Douglas
Noël Adams (1952-2001) escritor e
comediante britânico, e também “Batalha
do Apocalípse” e a trilogia “Filhos do Éden” do Eduardo Spohr, escritor
brasileiro que sabe tudo sobre portais, vértices, etc.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
DIRCEU LAGARTO
O guri
nasceu no Alegrete, na zona mais pobre
da cidadezinha do interior. Sua mãe tinha feições de índia e pele acobreada,
vivia de “bicos”; pai,
desconhecido. Foi da mãe que ele herdou a pele acobreada e os cabelos pretos e lisos. O guri foi se criando solto,
fazendo artes com a molecada.
Quando
Dirceu tinha uns 9 anos morreu-lhe a mãe que, mal ou bem, o sustentava. Ela foi
enterrada como indigente, lá nos fundos do Cemitério Municipal. Restou-lhe um
único parente, um tio, que não tinha como sustenta-lo e que resolveu doa-lo a alguém
que o quisesse.
Foi oferecido
a um casal jovem que tinha um filho pequeno, para cuidar do menininho. Foi
nesta casa que o conheci e foi aí que ele recebeu o apelido que o acompanharia:
Lagarto, por gostar muito de ovos.
Num dia
de finados esta família foi ao cemitério reverenciar seus mortos; Dirceu foi
junto, com algumas flores para colocar no túmulo da mãe; ele não encontrou o
túmulo, pois indigente não tem placa ou
cruz no túmulo que recebe. Ele deixou as flores jogadas lá no cemitério e
voltou muito revoltado; a partir daí,
fugia da casa onde estava e passava muito tempo na rua.
O casal
jovem decidiu que não tinha condições de ficar com ele e procurou o tio, para
devolvê-lo; o tio resolveu então doa-lo
para um morador do campo, dono de uma granja distante uma légua e meia da
cidade, onde ele poderia ser melhor vigiado e educado para o trabalho. O dono
da granja, Rafael, de arcanjo só tinha o nome: era rude, fanfarrão, arrotava à
mesa, batia nos filhos e empregados e maltratava a mulher.
Dirceu
entrou na linha, aprendeu toda a lida campeira e se fez homem trabalhando quase como escravo; nunca teve autorização de
Rafael para se afastar da granja. Com pouco mais de vinte anos, sem ter
qualquer documento ou registro, estava destinado a viver como escravo até o fim
dos seus dias, a menos que algo insólito acontecesse. O insólito aconteceu:
certo dia, cortando lenha no mato, Dirceu feriu um pé com o machado; foi levado
à cidade, ao Hospital da Santa Casa de Caridade, do qual Rafael era benemérito.
Ficou mais de um mês internado lá, para
curar o pé; quem o visitava neste período era Josias, filho mais velho de
Rafael, que descobriu que ele não era registrado e que não havia se apresentado
ao Serviço Militar.
Quando
ele teve alta, Josias o levou até o cartório, providenciou para que se registrasse, levou-o à Junta de
Recrutamento Militar, para que regularizasse sua situação e não fosse
considerado revel; dizem até que ele adotou o nome Lagarto no registro, por não
saber o nome correto de sua família; isto feito, Josias deu-lhe um cavalo
encilhado, algum dinheiro e o mandou ir cuidar de sua vida.
Foi assim que Dirceu Lagarto caiu
no mundo e se tornou dono de si.
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